Quem tem filho pequeno sabe bem da quantidade de vacinas que fazem parte da rotina do bebê e da criança. Só com ajuda do pediatra mesmo para lembrar-se de todas as entradas na carteirinha e todos os reforços. Mas, hoje em dia, curiosamente, tem gente que questiona a segurança e a eficácia das vacinas. Essa atitude está gerando um problema grave de saúde pública, e doenças antigas estão voltando a circular, causando até mortes.
Será que queremos retornar a um mundo sem vacinas? Vamos voltar no tempo para o início do século. O ano era 1922. Duas crianças de uma mesma família morreram no mesmo dia. Anna Ivene Miller, com 2,5 anos, e Stanley Lee Miller, que tinha acabado de fazer 1 ano, foram vítimas de caxumba, sarampo e coqueluche, simultaneamente. As outras crianças da família, um total de cinco, também adoeceram, mas sobreviveram. Essa situação era comum naquela época.
Uma em cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes de completar 5 anos. Hoje, não imaginamos como essas doenças eram cruéis. Não podemos imaginar a dor de perder dois filhos para doenças tão facilmente evitáveis com vacinas.
Quem morre de sarampo ou caxumba hoje em dia? Graças às vacinas, doenças terríveis e altamente contagiosas foram quase erradicadas. Algumas, como a varíola, de fato desapareceram.
Antes de continuarmos, uma breve definição: “vacinas” são produtos que buscam estimular o sistema imune, expondo a pessoa que as recebe a o que chamamos de “antígeno” – que pode ser parte de um vírus ou de uma bactéria, ou o microrganismo inteiro, porém morto ou enfraquecido, uma parte do envoltório do microrganismo, exibindo as proteínas que são efetivamente reconhecidas pelo sistema imune – relacionado ao agente causador de uma doença infecciosa. Essa exposição vai gerar uma memória imunológica, de modo que, se o agente infeccioso real aparecer, o organismo o reconhecerá e estará pronto para reagir.
A importância da vacinação no Brasil parece ser bastante reconhecida pela população. Pesquisa conduzida pelo Datafolha em parceria com o Instituto Questão de Ciência, em 2019, mostra que 97% dos entrevistados consideram importante vacinar seus filhos. Como explicar, então, que, apesar disso, existe um movimento contra a vacinação? Mesmo o Brasil, que sempre foi um exemplo internacional de vacinação pública, vem perdendo terreno.
Em 2016, a meta de vacinação contra poliomielite não foi cumprida: vacinamos 86% da população-alvo, contra 95% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Foi a pior taxa de imunização dos últimos 12 anos. A pólio é considerada erradicada do Brasil desde 1990.
No ano seguinte, o Ministério da Saúde alertou que o Brasil estava passando pelo período com menor cobertura vacinal desde 2006.
Segundo dados do Ministério, a cobertura vacinal da tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola, passou de 103,74%, em 2009, para 90,92%, em 2018. A cobertura da vacina contra poliomielite caiu de 103,66%, em 2009, para 87%, em 2018. A tríplice bacteriana, coqueluche, difteria e tétano, foi de 101,71%, em 2009, para 86,14%, em 2018. Estranhou os números acima dos 100%? Eles refletem doses extras, ou acima do previsto.
Quando uma parcela da população deixa de ser vacinada, podem-se criar grupos de pessoas suscetíveis, o que possibilita a circulação da doença. Quando a doença circula, ela afeta não somente aqueles que escolheram não se vacinar, mas também quem não pode ser vacinado, ou porque ainda não tem idade suficiente, ou porque sofre de algum tipo de comprometimento imune. Mesmo em condições ideais, a vacinação dificilmente chega a 100% da população. Mas quanto maior for a população vacinada, maior a proteção que ela confere, inclusive para os não vacinados. É o que chamamos de imunidade de rebanho.
Casos isolados de poliomielite e coqueluche já têm sido reportados no país. Em 2014, registraram-se dois casos de coqueluche em uma família de classe alta em São Paulo. As crianças não haviam sido vacinadas por escolha dos pais, que temiam o desenvolvimento de autismo e tumores. Mas não há nenhuma possibilidade de vacinas serem responsáveis por isso. A filha mais velha, de 6 anos, contraiu a doença e a transmitiu para sua irmã de apenas 6 meses. A bebê estava na UTI lutando pela vida, enquanto a mãe declarava que a mais velha sofreu semanas com intensa falta de ar. Por sorte, a bebê sobreviveu.
No Ceará e Pernambuco, em 2013, houve uma queda na vacinação de sarampo, seguida de um surto que acometeu 1.277 pessoas. O Brasil não tinha um único caso de sarampo autóctone – de origem local – desde 2000. Os poucos casos eram de pessoas que vinham do exterior.
Em abril de 2017, 200 pessoas ficaram em quarentena em Minnesota (EUA), após 12 casos de sarampo serem notificados em apenas duas semanas, todos em crianças não vacinadas, com menos de 6 anos. Enquanto isso, do outro lado do oceano, em Portugal, uma jovem de 17 anos morria de sarampo, decorrente de um surto da doença.
Surtos de sarampo estão crescendo no mundo todo, inclusive no Brasil, com casos reportados em 2019 em diversos estados, gerando a necessidade de uma campanha de emergência, alterando até a idade recomendada da população-alvo, para incluir crianças a partir de 6 meses. Normalmente, a primeira dose seria aos 12 meses de idade.
Então, volto à pergunta: quais alegações dos movimentos antivacina? Para pais que alegam que seus filhos são “saudáveis” e, portanto, não precisam de vacinas, cabe o questionamento de se as crianças do passado, por acaso, eram menos saudáveis do que as nossas, já que adoeciam – e morriam – das mais diversas doenças infecciosas. E casos isolados reportando que seus filhos nunca tomaram vacinas, e nem por isso adoeceram, mostram falta de familiaridade com o conceito de imunidade de rebanho, que já citamos: se todas as outras crianças estão vacinadas, a doença não circula, e uma ou outra que não receber a vacina estará protegida. Adivinha o que acontece quando a imunidade de rebanho diminui? A doença volta a circular e ocorrem surtos, nos quais pessoas não vacinadas encontram-se vulneráveis.
Antes da vacina de Jonas Salk para poliomielite ser testada em 1952, aproximadamente 20 mil casos eram reportados por ano só nos EUA. No ano de 1952, particularmente, os casos chegaram a 58 mil. Hoje, depois das vacinas Salk e Sabin, a pólio foi praticamente erradicada nas Américas e Europa, sendo que os poucos casos restantes advêm de regiões sem acesso a vacinas, na Ásia e África.
Crianças acometidas pela pólio, mesmo quando sobreviviam, ficavam paralíticas, com deficiência mental, ou, na melhor das hipóteses, passavam meses em respiradores artificiais, os “pulmões de aço”.
Nos EUA, antes da vacina contra sarampo, havia aproximadamente de 3 a 4 milhões de casos por ano, e uma média de 450 mortes anuais, registradas entre 1953 e 1963. Após a introdução da vacina, nenhum caso foi reportado até 2004 – quando a vacinação começou a ser questionada. Meningite era uma doença que matava em média 600 crianças por ano e deixava sobreviventes com sequelas como surdez e deficiência mental. Antes da vacina de coqueluche, quase todas as crianças contraíam a doença, com aproximadamente 150 mil a 260 mil casos reportados anualmente, com 9 mil mortes. Desde 1990, apenas 50 casos ao todo foram reportados.
Rubéola é uma doença relativamente banal em adultos, mas pode acometer gravemente crianças ao nascer se a mãe for contaminada durante a gestação. O resultado pode incluir defeitos cardíacos, problemas de visão, surdez e deficiência mental. Em 1964, antes da imunização, 20 mil bebês nasceram de mães infectadas. Desses, 11 mil eram surdos, 4 mil cegos e 1.800 apresentavam deficiência mental.
Além desses exemplos, podemos citar doenças como tuberculose, catapora, caxumba, hepatite B e difteria, que foram controladas com vacinas eficazes, mas que acometeram e mataram milhões no passado.
As vacinas nos protegem contra doenças terríveis, capazes de causar sofrimento, sequelas e morte. Há 60 anos, as vacinas têm se mostrado eficazes e seguras. É importante debater algumas questões comuns postas por grupos contra as vacinas:
1. Sarampo e coqueluche não são doenças sérias. Mesmo no surto da Califórnia de 2013, nenhuma criança morreu. Em geral, realmente sarampo não é uma doença séria. Em alguns casos, no entanto, pode gerar sequelas e até matar. De janeiro a agosto de 2019, foram confirmados mais de 1.300 casos de sarampo no Brasil. Além disso, é uma doença debilitante que causa bastante dor e sofrimento. Coqueluche não tende a ser grave em adultos, mas costuma ser fatal em crianças pequenas e bebês.
2. Cada pai e mãe tem o direito de escolher se seus filhos serão vacinados ou não. Que diferença isso faz para os demais? Quem quiser que vacine os seus! Não é bem assim. Algumas vacinas só imunizam a partir da terceira ou quarta dose, quando a criança está com 5 ou 6 anos. Ter uma população vacinada protege os bebês e as crianças pequenas, porque impede a disseminação da doença. Protege também pessoas com o sistema imunológico comprometido, que não podem ser vacinadas. De novo, é a imunidade de rebanho. Se você escolhe não vacinar seu filho, e aos 6 anos ele contrai uma doença, e por sua vez contamina o meu bebê de 6 meses que ainda não foi vacinado porque não tem idade, a sua escolha pessoal está afetando, sim, a minha família. E meu bebê pode morrer porque você não vacinou seus filhos. Eu não compartilho da sua escolha, mas sou afetada por ela. Portanto, se você optar por não vacinar seu filho, não reclame depois se ele não for aceito em alguma escola que exige calendário de vacinação completo. E tenha consciência de que a sua escolha pessoal, baseada em boatos e estudos sem comprovação científica, está colocando a vida de outras pessoas em risco.
3. Antes de 1940 não existia autismo. Depois das vacinas, os casos de autismo começaram a aparecer. Antes de 1940 também não existiam telenovelas, streaming, canola, redes de fast-food, computador pessoal, celulares, rock and roll, realidade virtual, satélites em órbita etc. NÃO estamos, absolutamente, sugerindo que qualquer um desses possa “causar” autismo. Mas nem toda coincidência de datas indica relação de causa e efeito, e muitas outras coisas mudaram desde 1940. Além disso, o critério para diagnóstico de autismo foi alterado para incluir uma gama de novos transtornos, e o próprio diagnóstico clínico melhorou muito, assim como o número de casos reportados, contribuindo para a elevação das estatísticas. O primeiro uso do termo “autismo” na literatura científica é de 1943, e o primeiro paciente diagnosticado como autista foi um americano em 1938. Donald Triplett ainda está vivo e consegue recitar partes da Bíblia de cor desde os 2 anos, além de ser capaz de identificar notas individuais tocadas no piano.
4. O mercúrio nas vacinas é neurotóxico. O timerosal, utilizado como conservante em certas vacinas, não é o mesmo mercúrio encontrado nos termômetros, e, além disso, a concentração utilizada é baixíssima, muito menor do que a encontrada na água potável. Não existe qualquer evidência de que o mercúrio presente nas formulações vacinais cause autismo ou qualquer outra doença neurológica. Além disso, seu uso caiu muito desde 2001, sendo adotado hoje em pouquíssimas formulações vacinais. Se houvesse uma relação direta, os números de autismo teriam despencado desde então.
5. O atual calendário vacinal tem um número muito elevado de antígenos e pode comprometer o sistema imune “natural” das crianças por sobrecarga. As crianças são expostas a milhares de antígenos o tempo todo, desde o nascimento. As vacinas contribuem com aproximadamente 300 antígenos até 2 anos de idade, de acordo com dados do CDC, o Centro para Controle de Doenças dos Estados Unidos. O número no Brasil é equivalente. Esses antígenos usariam 0,1% do sistema imune. Além disso, as vacinas mais modernas são feitas com subunidades, ou seja, contêm apenas partes de vírus ou bactérias, utilizando ainda menos antígenos do que se a criança fosse infectada normalmente. Portanto, mais uma vez, se houvesse uma relação direta com o número de antígenos e os casos de autismo, estes teriam despencado com as novas formulações vacinais. E isso não aconteceu.
Curiosamente, o medo das vacinas espalhado pelas redes sociais começou por causa de um médico que nunca foi, de fato, antivacinas. Ele apenas queria ficar rico vendendo uma vacina única para sarampo, então, para isso, fraudou um trabalho científico para relacionar a tríplice viral MMR – que protege contra sarampo, rubéola e caxumba – com autismo.
Trata-se do médico inglês Andrew Wakefield, que, em 1998, publicou um estudo na revista médica The Lancet, uma das mais importantes do mundo, que foi o estopim do maior movimento antivacinas da história. O estudo relacionava a vacina tríplice viral com o desenvolvimento de uma síndrome intestinal e sintomas de autismo em crianças.
O estudo, cujas consequências nefastas se fazem sentir até hoje, contava com uma amostra de apenas 12 crianças, que teriam sido admitidas no hospital Royal Free, ao norte de Londres, para tratar de problemas intestinais. Wakefield tentava estabelecer uma relação entre doença de Crohn, autismo e a vacina MMR. Problemas intestinais são comuns em crianças autistas e o médico fraudou os dados para indicar uma correlação.
Antes mesmo de o estudo ser publicado, foi convocada uma coletiva de imprensa, onde Wakefield lançou um vídeo de divulgação da sua teoria: MMR causava autismo em crianças porque era uma combinação muito forte de antígenos de uma só vez.
Wakefield pedia um boicote imediato à vacinação com MMR, em favor de vacinas simples contra cada uma das doenças, que seriam dadas em intervalos de tempo maiores. A vacina MMR vinha sendo utilizada nos EUA desde 1970 e no Reino Unido desde 1980, em crianças a partir de 1 ano, ajudando a quase erradicar sarampo, rubéola e caxumba desses países.
Uma investigação jornalística minuciosa, conduzida pelo repórter britânico Brian Deer, desmascarou completamente o que hoje sabemos ter sido uma das maiores fraudes da história da Medicina.
Deer descobriu que, dois anos antes da publicação do artigo, em 1996, Wakefield havia sido contratado por um advogado chamado Richard Barr, que planejava processar a companhia farmacêutica responsável pela produção da MMR.
Barr havia reunido famílias interessadas em processar a empresa e que culpavam a vacina pelo autismo de seus filhos. Mas ele precisava de alguém para oferecer respaldo científico e testemunhar como perito médico. Wakefield cobrou a bagatela de 150 libras por hora, mais a quantia de 55 mil libras, para usar na pesquisa. Isso totalizou aproximadamente 430 mil libras, o equivalente na época a 750 mil dólares, que foram creditados na conta da esposa de Wakefield.
Ainda, um ano antes de o estudo ser publicado, Wakefield pediu uma patente para sua mais nova invenção: uma vacina simples para sarampo. Tudo estava pronto. Só faltava acabar com a credibilidade da MMR. O advogado lucraria milhões com o processo, e Wakefield lucraria milhões vendendo sua nova vacina. Ele também havia pedido a patente de um processo de “cura total” para o autismo, então poderia vender este também.
E como descreditar a MMR? Wakefield tinha uma receita muito simples. Reúna 12 crianças com problemas intestinais e sintomas de autismo e diga que os sintomas começaram após a vacinação com MMR. Durante a investigação, no entanto, Brian Deer descobriu que os prontuários médicos de todas as 12 crianças tinham sido adulterados.
Como a relação entre MMR e autismo não existe, foi preciso dar uma “ajustada” nos registros. O estudo dizia que todos os pacientes apresentaram alterações de comportamento e problemas intestinais aproximadamente 14 dias após receberem a vacina MMR. Entrevistas com os pacientes, e o acesso aos registros originais, mostraram que isso não ocorreu em nenhum dos casos. Alguns relatavam sintomas meses ou anos antes da aplicação da vacina; outros, meses depois. Além de falsificar dados e fabricar uma fraude, Andrew Wakefield submeteu crianças a exames invasivos, como colonoscopia e punção lombar, sem a menor necessidade.
Em 2004, Wakefield foi considerado culpado de fraude, conduta profissional inadequada e antiética, e teve sua licença médica cassada. A British Medical Journal/ Revista Britânica de Medicina (BMJ) acusou o hospital Royal Free e a revista The Lancet de conduta editorial e institucional inadequadas. A revista se retratou e retirou o artigo de suas publicações. Todos os coautores retiraram seus nomes do estudo. O hospital demitiu Wakefield.
Tarde demais: o estrago maior havia sido feito. Wakefield já havia conquistado fiéis seguidores em todo o mundo. Alguns célebres, como a atriz Jenny McCarthy e o ator Jim Carrey, abraçaram a teoria de Wakefield, alegando que o pobre médico foi vítima de uma conspiração internacional e que Brian Deer teria sido pago para caluniá-lo.
Para determinar causa e efeito, precisamos de estudos com modelos animais. Precisaríamos de um estudo com um número grande de animais, divididos em dois grupos, um receberia a vacina e o outro seria o grupo controle, não vacinado. Para isso, usaríamos animais geneticamente idênticos. Precisaríamos, então, demonstrar que o grupo que foi vacinado apresentou alterações de comportamento e cerebrais. Nesses animais, sim, poderíamos realizar exames invasivos e até mesmo, se necessário, sacrificá-los, seguindo os procedimentos éticos certificados, e verificar se houve qualquer efeito da vacina nos tecidos.
Mas não se pode apontar qualquer coisa que pareça correlacionada a outra como causa. Principalmente, a partir de uma amostra de apenas 12 indivíduos. Antes de retirar a publicação de Wakefield, a revista ofereceu publicar um novo estudo, se ele conseguisse reproduzir esses resultados com um número maior de crianças. Wakefield recusou.
Quando as pessoas querem acreditar em alguma coisa, e, finalmente, encontram um culpado para seus problemas, é muito difícil dissuadi-las. Quando ficou claro que Wakefield estava errado, os ativistas antivacina quiseram culpar o mercúrio presente nas formulações vacinais. No entanto, o mercúrio foi retirado da maior parte das vacinas no início do século, e o número de casos de autismo continua crescendo.
No primeiro surto de sarampo pós-Wakefield, na Irlanda, um casal de imigrantes romenos perdeu sua filha mais velha. Eles foram para o Reino Unido em busca de condições de vida melhores. A criança ainda não estava na idade de receber a vacina, e com a falta da imunidade de rebanho, foi exposta a um surto. O vírus afetou seu cérebro, e ela não resistiu.
O movimento antivacinas não é, porém, o único responsável pela queda da cobertura vacinal, principalmente no Brasil. O sentimento de que não é necessário vacinar, porque vivemos em uma geração que teve pouco contato com doenças infecciosas graves como a poliomielite, o apelo do retorno ao “natural”, com a promessa de um corpo saudável e naturalmente resistente a doenças só com base em dieta e exercícios, além de problemas de logística e distribuição, certamente contribuíram para o atual cenário.
De certa forma, as vacinas são vítimas do próprio sucesso. As pessoas esqueceram como era viver sem vacinas, e que, graças a elas, vencemos várias doenças infecciosas. Há 60 anos, as vacinas têm se mostrado eficazes e seguras. O mundo antes das vacinas não parece um local muito alentador. Não tentemos voltar para lá.
