Acne

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Resumo do documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria: Acne na Adolescência. Ano: 2025

Este documento é um Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), elaborado pelos Departamentos de Dermatologia e de Medicina do Adolescente. Seu objetivo é orientar pediatras sobre o diagnóstico e o tratamento da acne na adolescência, com abordagem prática e baseada em evidências.

A acne vulgar é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente os adolescentes. Popularmente conhecida como “cravos e espinhas”, ela ocorre devido à inflamação dos folículos pilossebáceos (estrutura da pele que contém o pelo e a glândula produtora de sebo). Além do impacto físico, a acne pode afetar profundamente a autoestima, contribuindo para ansiedade, depressão, isolamento social e até pensamentos suicidas. Por isso, o documento destaca a importância do tratamento precoce e adequado para reduzir crises e prevenir cicatrizes permanentes.

A acne é resultado de múltiplos fatores. Entre os principais estão predisposição genética, alterações hormonais típicas da puberdade, aumento da produção de sebo (oleosidade), alteração da queratinização (processo de renovação das células da pele), proliferação de bactérias como a Cutibacterium acnes e inflamação. Fatores como estresse, cosméticos inadequados, certos medicamentos (como corticoides e anabolizantes) e dieta rica em leite, açúcar e carboidratos refinados podem agravar o quadro. O documento aponta associação entre alimentação e gravidade da acne, mas não estabelece relação de causa única. Alimentos ricos em ômega-3, como peixes e sementes, podem ter efeito anti-inflamatório.

Clinicamente, a acne começa com o comedão (cravo), que pode ser fechado (esbranquiçado) ou aberto (escurecido pela oxidação). Pode evoluir para pápulas (lesões avermelhadas), pústulas (com pus), nódulos e cistos, estes últimos associados a maior risco de cicatrizes. A gravidade é classificada em quatro graus:

  • Grau I: predominam cravos;
  • Grau II: cravos e lesões inflamatórias superficiais;
  • Grau III: presença de nódulos e inflamação mais intensa;
  • Grau IV: formas graves e conglobatas, com alto risco de cicatrizes.

O diagnóstico é clínico, feito pelo exame da pele. Também é fundamental avaliar o impacto emocional, pois muitas vezes o sofrimento psicológico é desproporcional à gravidade dermatológica.

O tratamento depende da gravidade. Em todos os casos, recomenda-se rotina adequada de cuidados: limpeza suave com sabonetes apropriados (syndets), hidratação com produtos não comedogênicos (que não obstruem os poros) e uso diário de protetor solar oil free (sem óleo). Espremer lesões deve ser evitado, pois aumenta o risco de inflamação, cicatrizes e, raramente, infecções graves.

Nas formas leves, utilizam-se medicamentos tópicos (aplicados na pele), como retinoides (derivados da vitamina A que normalizam a renovação celular), peróxido de benzoíla (ação antibacteriana e anti-inflamatória) e ácido azelaico (ação anti-inflamatória e clareadora). Retinoides são a base do tratamento, mas podem causar vermelhidão e descamação. São contraindicados na gestação.

Antibióticos tópicos, como clindamicina, devem ser usados apenas em associação com peróxido de benzoíla para reduzir o risco de resistência bacteriana. Antibióticos orais (como doxiciclina e minociclina) são indicados em acne inflamatória moderada a grave, sempre combinados a tratamento tópico, e geralmente utilizados por dois a quatro meses.

Nas meninas com sinais de influência hormonal — como piora pré-menstrual, excesso de pelos (hirsutismo) ou suspeita de síndrome dos ovários policísticos — pode-se considerar terapia hormonal com anticoncepcionais combinados ou espironolactona (medicação com ação antiandrogênica). O uso deve ser individualizado, considerando riscos como tromboembolismo.

A isotretinoína oral é indicada principalmente nas formas graves, nodulocísticas ou com risco de cicatrizes. Atua reduzindo significativamente a produção de sebo. Pode causar ressecamento da pele e alterações laboratoriais reversíveis. É altamente teratogênica (pode causar malformações graves no feto), exigindo contracepção rigorosa e acompanhamento médico.

O tratamento precoce é essencial para prevenir cicatrizes atróficas (depressões na pele) e hipercromias pós-inflamatórias (manchas escuras após a inflamação). Procedimentos como peelings, laser e microcirurgia podem ser necessários em casos selecionados e devem ser realizados por especialistas.

O documento também enfatiza o contexto atual das redes sociais, que ampliam padrões estéticos irreais e podem agravar o sofrimento emocional. O pediatra deve abordar o tema de forma empática, mesmo que não seja a queixa principal da consulta.

O que isso significa na prática?

A acne não é apenas uma questão estética. Ela é uma doença inflamatória que pode afetar profundamente a saúde emocional do adolescente. Procurar orientação médica precoce, seguir corretamente o tratamento e evitar automedicação são atitudes que reduzem o risco de cicatrizes e melhoram a qualidade de vida. Para profissionais de saúde, é essencial avaliar não apenas a pele, mas também o impacto psicológico da condição.

Se o leitor lembrar de apenas uma ideia deste documento, que seja esta: A acne na adolescência deve ser tratada de forma precoce, individualizada e cuidadosa — não apenas para melhorar a pele, mas para proteger a autoestima e prevenir cicatrizes permanentes.