Ritmo e Amplitude do Crescimento

Ritmo e Amplitude do Crescimento

Ritmo e Amplitude do Crescimento

Duas coisas diferentes que às vezes confundimos

Crescer é aumentar de tamanho com o passar do tempo. O tamanho do corpo a gente consegue medir facilmente com uma fita métrica. Mas o "tempo interno" do corpo — ou seja, o ritmo em que cada criança se desenvolve — não é a mesma coisa que a idade marcada no calendário.

Cada criança tem seu próprio ritmo de maturação, que pode ser diferente da idade que ela realmente tem. Uma criança que amadurece mais devagar vai precisar de mais anos para chegar no mesmo ponto de desenvolvimento que uma criança que amadurece rápido. Por isso, a criança de ritmo mais lento costuma parecer mais baixinha, e a de ritmo mais rápido costuma parecer mais alta — mesmo que as duas, no final, cheguem a alturas normais de adulto.

Uma boa avaliação médica tenta separar essas duas coisas: quanto a criança vai crescer (o tamanho final) e em que ritmo ela está crescendo. O problema é que, diferente da altura (que medimos em centímetros) ou do peso, não existe um instrumento simples para "medir" o ritmo de maturação. Além disso, o ritmo em que o corpo físico se desenvolve pode ser bem diferente do ritmo em que a criança se desenvolve emocionalmente, mentalmente ou socialmente.

Como os médicos avaliam esse ritmo?

Existem hoje três formas principais de avaliar o ritmo físico de desenvolvimento de uma criança:

1. Avaliação dos ossos (a chamada "idade óssea")
O médico pode pedir uma radiografia da mão e do punho para ver o quanto os ossos já se desenvolveram. Existem métodos e tabelas conhecidos que ajudam a prever, a partir disso, qual será a altura final da criança na vida adulta. Também existem métodos mais modernos, feitos por computador, que fazem essa análise de forma automática.

2. Avaliação dos sinais da puberdade
O médico observa os sinais físicos de que a puberdade está começando. Isso funciona bem em crianças saudáveis, mas pode não ser confiável em crianças que têm algum problema relacionado ao desenvolvimento sexual, pois nesses casos os sinais nem sempre acompanham o ritmo real de maturação do corpo.

3. Gráficos de altura ao longo do tempo
Anotar várias medidas de altura da criança ao longo dos anos, comparando com a média esperada para a idade, também dá uma boa pista rápida sobre o ritmo de crescimento — e costuma ser até melhor do que os gráficos tradicionais de "velocidade de crescimento".

O "crescimento de recuperação": quando o corpo compensa o tempo perdido

Grande parte do que vemos nas curvas de crescimento tem a ver com ritmo, não com o tamanho final. Um bom exemplo é o chamado crescimento de recuperação (ou "crescimento compensatório"): quando algo atrasa o crescimento de uma criança por um tempo (uma doença, por exemplo), depois que esse problema é resolvido, o corpo "acelera" para recuperar o atraso — mas isso é uma recuperação no ritmo, e não significa que a criança vai ficar mais alta do que estava destinada a ficar.

Isso não acontece só com crianças individualmente — também pode acontecer com grupos grandes de pessoas. Um exemplo histórico interessante: durante a Segunda Guerra Mundial, meninas que estudavam em Oslo (capital da Noruega) tiveram seu crescimento prejudicado durante a ocupação alemã, mas depois recuperaram esse atraso e cresceram normalmente, alcançando a altura esperada quando adultas. Isso mostra como o ambiente (nesse caso, as dificuldades da guerra) afeta o ritmo do crescimento, e não necessariamente o tamanho final que a pessoa vai atingir.

O que isso significa na prática?

Isso também acontece com crianças que têm doenças crônicas. Muitas vezes elas parecem mais baixinhas do que as outras da mesma idade, mas isso geralmente não quer dizer que elas vão ficar mais baixas quando crescerem — é só que o ritmo delas está mais lento naquele momento.

Dois exemplos ajudam a entender isso:

  • Uma menina com fibrose cística (uma doença genética que afeta os pulmões e outros órgãos) mostrou um ritmo de crescimento mais lento, mas, ao final, atingiu uma altura adulta normal.
  • Já uma menina com hiperplasia adrenal congênita (uma doença que afeta as glândulas suprarrenais) mostrou o efeito contrário: seu ritmo de crescimento estava bem mais acelerado, quase 3 anos "adiantado" em relação à sua idade real.

Ou seja: na maioria dos casos que vemos na prática médica, quando uma criança parece estar "atrasada" ou "adiantada" no crescimento, isso geralmente é uma questão de ritmo, e não do tamanho final que ela vai alcançar.

Um ponto importante para os pais entenderem: quando um tratamento médico "acelera" o crescimento de uma criança nos gráficos, isso não significa necessariamente que o ritmo dela mudou de fato. Os gráficos tradicionais são baseados na idade do calendário, então eles podem dar a falsa impressão de que a criança está "recuperando altura", quando na verdade ela pode estar apenas recuperando tempo perdido no seu próprio ritmo de crescimento.